Hydrax, saneamento de tubulações

Sanasa reduz perda de água para 23,4%

Maria Teresa Costa
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
teresa@rac.com.br

A Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A. (Sanasa) reduziu as perdas de água na rede em 38% nos últimos dez anos — isso significa que deixaram de jorrar de encanamentos rompidos 18 milhões de metros cúbicos por ano, volume suficiente para abastecer Campinas por dois meses. De um índice de perdas de 37,7% em 1997, a empresa chegou a 23,4% no primeiro semestre deste ano, bem abaixo da média nacional de 40%, mas dentro do índice europeu, cujas perdas estão no patamar de 20% a 25%.

A redução do desperdício de água nos vazamentos foi obtida por um programa de troca de rede e de uma série de ações implementadas pela empresa, informou a gerente de Controle de Perdas e de Sistemas da Sanasa, Lina Cabral Adani. Campinas tem hoje um dos menores índices de perdas de água no sistema de abastecimento público nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).

Na bacia, o volume que jorra de encanamentos rompidos e que é “roubado” antes de passar pelo hidrômetros seria suficiente para abastecer uma população de 2,35 milhões de habitantes, o equivalente a duas cidades do porte de Campinas. Segundo um levantamento do Consórcio das Bacias PCJ divulgado no ano passado, 6,7 mil litros por segundo de água tratada se perdem pelo caminho entre a estação de tratamento e o hidrômetro da casa do consumidor. As perdas atingiram 36%, bem acima da meta de 30% estabelecida pelo consórcio.

O controle de perdas, conforme a gerente da Sanasa, significa tirar menos água dos rios e, conseqüentemente, adiar investimentos em toda a bacia na ampliação dos sistemas de produção, adução e reservação de água. Esse controle é uma das principais metas da Bacia PCJ, que não tem mais água para grandes investimentos, segundo o presidente do Consórcio PCJ e prefeito de Itatiba, José Roberto Fumach (PMDB). “Um cidadão precisa de 2,5 mil metros cúbicos de água por ano para sobreviver e nós estamos hoje com uma oferta de 800 metros cúbicos”, disse.

Nos últimos dois anos, segundo Lina, foram trocados 100 quilômetros de redes em cimento amianto, PVC e ferro fundido por polietileno de alta densidade (PAD), que é um material plástico mais maleável e soldado. “Com esse material, as perdas são eliminadas”, afirmou. Mas é impossível, conforme a especialista, acabar com as perdas em toda Campinas. Primeiro, porque haveria necessidade de trocar toda a rede, o que implicaria em um custo extremamente elevado. Mesmo que isso ocorresse, seria difícil acabar com os “roubos” de água, que acontecem com freqüência na cidade.

As perdas de água ocorrem por rupturas das tubulações quando o material do encanamento está fatigado ou por pressão alta. Nesses casos, as empresas de abastecimento contam com denúncias da população para agir rapidamente. Há ainda perdas por vazamentos nas emendas de tubulações. As mais antigas não eram soldadas e muitas cidades ainda têm esse tipo de encanamento. Há ainda as chamadas perdas financeiras, ocasionadas por “roubo” de água ou por submedição dos hidrômetros.

Região central de Campinas tem tratamento diferenciado

O programa de troca da rede não chegará ao Centro de Campinas porque a paralisação no fornecimento de água seria muito problemática por causa do comércio. Nessa região, a Sanasa vem adotando o controle de todas as entradas de água de forma que, aos sábados à tarde e domingos, o fornecimento é cortado, garantindo água apenas para os moradores. O sistema de válvulas é inteligente e detecta a necessidade de abastecimento no Centro, abrindo quando precisa de água e fechando quando cai o consumo. O sistema de automação da área central está sendo finalizado. A troca de rede nessa região ficará para uma segunda etapa, conforme a gerente de Controle de Perdas da Sanasa, Lina Cabral Adani. A redução de perdas na cidade, explicou, deve-se também a um intensivo programa de troca de hidrômetros por equipamentos que fazem a medição mais precisa.

Todas as cidades da Bacia PCJ estão investindo nessa medida. Em 2000, 70% da água tratada em Jaguariúna não chegava às torneiras. Hoje, as perdas estão em 25%. “O que ganhamos com a cobrança da água já pagamos o investimento feito na troca de rede. Trocamos 60 quilômetros e até o final do ano trocaremos mais 40”, disse o prefeito Tarcísio Chiavegatto (PTB). Segundo ele, em 2001, a cidade captava 250 litros por segundo e agora, apesar do crescimento populacional de 20% no período, a captação caiu para 150 litros por segundo. (MTC/AAN)